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La Vie en Chérie

Para os apaixonados por moda, cinema, livros e por uma vida doce e divertida

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Livraria Chérie #12 Voo Final

Ontem terminei a leitura de Voo Final, um romance de espionagem do escritor britânico Ken Follett, publicado em 2002, e cujo título original é Hornet Flight. Este livro encontra-se dividido em quatro partes, as quais por sua vez estão divididas em capítulos, num total de 33.

A narrativa decorre em plena II Guerra Mundial, sendo que o grande problema que despoleta a acção é o facto de os aviões ingleses enviados para lutar contra as tropas alemães estarem a ser constantemente abatidos, como se estes pudessem de alguma forma detectá-los. A história divide-se entre dois grandes espaços: a Inglaterra e a Dinamarca, país onde decorre a maioria da acção, e foca-se em três protagonistas que se encontram todos envolvidos nesta situação de formas diferentes. Temos Harald Olufsen, um jovem estudante dinamarquês muito inteligente que numa das suas deambulações pela sua ilha natal faz uma descoberta muito interessante; Hermia Mount, uma agente do MI6 responsável pela espionagem na Dinamarca, e que é também a noiva inglesa do irmão de Harald; e por fim Peter Flemming, um detective da polícia dinamarquesa extremamente fiel aos seus deveres e que tem uma história com a família Olufsen.

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Neste livro, como já se devem ter apercebido, todos os personagens estão de alguma forma ligados uns aos outros, convergindo cada vez mais à medida que vamos avançando na leitura. Cada um dos três protagonistas é caracterizado de uma forma complexa, com muitas áreas cinzentas que fazem com que a nossa opinião sobre eles varie. Todos os acontecimentos por que cada um deles passa vão ter impacto no seu futuro, mesmo as situações que pareciam mais insignificantes. A história decorre a um bom ritmo, tendo a primeira metade sido especialmente interessante para mim, por estar a descobrir as motivações dos personagens, e a tentar adivinhar o seu futuro. 

A escrita de Ken Follett é irrepreensível e muito cativante, o que faz dele um verdadeiro contador de histórias, que conseguem aliar muito bem vários temas. Contudo, e embora eu perceba que seja necessário, por vezes alonga-se demasiado na explicação do funcionamento do aviões, o que para uma leiga na matéria como eu, se torna bastante aborrecido, além de por vezes cair em determinados clichés que já estávamos à espera, e apresentar muitas coincidências, mas que perdoamos, tendo em conta a restante qualidade da narrativa. Fora isso, este é um livro que apesar de ter a espionagem como tema central, consegue aliar muitas outras vertentes à sua história, dando-lhe mais humanidade e permitindo-nos simpatizar mais com os personagens e o seu percurso. O meu favorito foi sem dúvida o personagem de Harald, não só por ter o carácter mais afável, mas também porque os seus capítulos são os que se focam mais numa vida quotidiana em tempo de guerra, permitindo-me conhecer um pouco da vida durante a guerra, e oferecendo-me uma nova perspectiva do tema.

Ao contrário do que se poderia esperar, o livro não aborda muito a perspectiva alemã da guerra, nem os horrores cometidos, preferindo focar-se numa outra visão da época: a dos que, estando sob domínio alemão, ainda tinham alguma liberdade, estando numa espécie de limbo, como foi o caso dos habitantes da Dinamarca. Achei esta perspectiva muito refrescante, até porque os alemães que aparecem no livro não são caracterizados como "o bicho papão", mas parecem pessoas normais como uma ideologia retorcida.

Sem dúvida um óptimo livro que gostei bastante de ler e que recomendo, não só aos fãs dos temas da espionagem e da II Guerra Mundial, mas a quem quer que goste de um bom romance de aventuras com personagens interessantes.

 

Classificação: 

Livraria chérie #11 - Orgulho e Preconceito

Devo, antes de mais, confessar que li este livro totalmente desprovida de conhecimento face à sua narrativa. Nunca vi o filme, não conhecia a história, sabia apenas que se tratava de um romance, o que a início não se revelou um facto muito apelativo para mim. Este estilo literário não faz de todo as minhas delícias. No entanto, estaria para chegar o livro que mudaria essa minha vincada opinião – Orgulho e Preconceito.

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Escrito por Jane Austen e publicado pela primeira vez em 1813, este romance britânico procura dar a conhecer a história de Elizabeth Bennet e de toda o seu ambiente social e cultural. Temas como a educação, o casamento, a cultura, a moral, o orgulho e a classe social tornam-se recorrentes e representativos da aristocracia britânica do século XIX.

Nas primeiras páginas é-nos apresentada a família Bennet, sendo o patriarca um homem distante e com pouco poder económico. Por sua vez, a Srª. Bennet revela-se desde logo uma mulher superficial, tola e desinteressante, cujo objectivo e expoente máximo de felicidade é “ver todas as suas filhas bem casadas”. As referidas filhas são Jane (a mais velha), Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia (a mais nova), que vivem com os pais na cidade de Meryton, em Hertforshire.

No início desde romance, de modo a corresponder aos desejos da Srª. Bennet, chega à cidade um jovem cavalheiro que aluga uma propriedade (Netherfield). De seu nome Charles Bingley, é rapidamente cobiçado e bem recebido por toda a comunidade. Porém, Mr. Bingley não vem só, fazendo-se acompanhar pela sua irmã e um amigo – Mr. Fitzwilliam Darcy. Este último, de ar sorumbático e algo orgulhoso é desde logo desdenhado pela comunidade, pela qual o próprio acalenta o mesmo sentimento. Entretanto, Jane e Bingley começam a relacionar-se, no entanto, a felicidade não é duradoura, e por meio de artifícios maldosos de outros, acabam por se separar, acreditando que a paixão morreu.

Entre Elizabeth e Mr. Darcy surge igualmente uma relação, mas de despique, caracterizada pela indiferença dele e vivacidade dela, diferente de todas as outras do seu meio. Com a partida de Darcy, Elizabeth inicia uma relação de amizade com Mr. Wickham, um oficial que ajuda a alimentar as divergências entre Elizabeth e Darcy.

Não quero de todo estragar o prazer daqueles que tenham intenção de ler o livro, portanto, em matéria de sinopse acho que vou ficar por aqui. A história não requer muita perspicácia da parte do leitor, pois torna-se bastante previsível qual o seu desfecho, desde os capítulos mais iniciais. No entanto, apesar de o factor surpresa estar condicionado, a narrativa é excelente e acompanhada por uma escrita irrepreensível.  

Quanto às personagens estão fantásticamente criadas, evoluindo todas ao longo do livro, sendo que não existem personagens desnecessárias ao curso da história.

Numa sociedade não muito diferente da actual, valores como a educação, a cultura, a classe social, o matrimónio e os ideais são constantemente colocados em questão. Jane Austen, procura, em jeito de crítica, deixar o leitor inferir acerca do orgulho e do preconceito vivido nesta época. Será que estes sentimentos se extinguiram no tempo, ou continuarão afincados na sociedade contemporânea?

A minha classificação não atinge a cotação máxima, apenas pela questão do factor surpresa. Crucifiquem-me mas sou uma leitora que gosta de ser compreendida e aqui, apesar de ser uma excelente obra, o desfecho revela-se previsível mesmo que não nos seja permitido antever o rumo que a história vai tomar até lá.

 

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Livraria Chérie #10 O Espião Que Saiu do Frio

Terminei hoje a leitura de O Espião que Saiu do Frio, um livro de espionagem do escritor britânico John Le Carré, que foi publicado em 1963 sob o título The Spy Who Came in From the Cold, e que foi considerado pela revista Time como um dos 100 Melhores Livros de Sempre. 

A acção decorre no pós-guerra, durante o período da Guerra Fria, em que o mundo da espionagem atingiu o seu apogeu, sendo que o nosso protagonista, Alec Leamas, faz parte deste mundo, e encontra-se num período de transição, tentando encontrar uma forma de deixar esta vida e regressar ao mundo civil - basicamente, sair do frio. Para isso é-lhe oferecida uma missão perigosa e bastante importante, a qual ele aceita e que ao longo das mais de 200 páginas deste livro, nós vamos acompanhar.

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A principal característica deste livro é que desde o início que somos envolvidos no meio da acção e temos de tentar "encontrar o nosso lugar"; ou seja tentar perceber o que está a acontecer, onde e quando decorre a história, quem são os seus intervenientes e o que está realmente nas suas mentes. Acabamos por funcionar também nós, de certa forma, como espiões que assistem a uma história que não é a sua, e que tentam discernir pistas e pensamentos ocultos. Este factor funciona tanto como um factor positivo como negativo. Por um lado obriga-nos a mantermo-nos sempre atentos, a ler nas entrelinhas e a tentar compreender o que se está a passar, mas por outro lado torna-se muitas vezes difícil acompanhar o que está a acontecer e principalmente o porquê de estar a acontecer. Acaba por ser um pouco confuso, especialmente porque apesar da história ser conduzida de forma linear, a verdade é que por vezes parece não haver uma ligação entre os capítulos, especialmente no último terço do livro.

A escrita de John Le Carré é agradável, minuciosa e marcada principalmente por diálogos, o que é natural tendo em conta o tema, mas é também complexa no sentido de que é dada muita informação sobre a qual nós pouco ou nada sabemos. 

Esperava um pouco mais deste livro, tendo em conta que já foi considerado o melhor romance policial, esperava que tivesse mais acção e adrenalina, que me deixasse mais "presa" e com vontade de ler sempre mais, mas não foi isso que aconteceu. Apesar disso, gostei porque é um livro bem construído e com uma boa reviravolta final, e além disso tem um protagonista extremamente interessante, com uma grande agilidade mental. Outros factores de que gostei foi ter ficado a saber um pouco mais sobre esta época, bem como as discussões filosóficas sobre o que está realmente em causa: o indivíduo versus o todo, a moralidade versus a razão.

 

Classificação: 

Como curiosidade, sabiam que este livro já foi adaptado ao cinema em 1965 e que recebeu duas nomeações aos Óscares? Podem ver mais aqui.

Livraria chérie #8 - Morte no Nilo

Death on the Nile, ou Morte no Nilo, no título que recebeu por terras lusas, é um romance policial de Agatha Christie. Publicado em 1937, é uma das mais célebres narrativas das aventuras do detective Hercule Poirot.

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A linha histórica começa muito antes dos acontecimentos principais do livro, procurando situar o leitor, dando-lhe a conhecer as personagens e certos pormenores que futuramente serão importantes.

Encontramo-nos então em Inglaterra, e Linnet Ridgeway é uma mulher que dispõe de tudo na vida: carisma, beleza, dinheiro e estatuto social. O que Linnet não tem é amor, mas rapidamente se apodera do namorado da sua melhor amiga, Jacqueline de Bellefort – Simon Doyle. Para fúria de Jackie, Simon abandona-a, casando com Linnet e partindo de lua-de-mel para o Egipto.

Assim, é a bordo do barco que navega no Nilo que a maior parte da acção se desenrola. A bordo encontra-se o recém casal, mas também Jacqueline, que num acesso de desespero começa a perseguir os Doyle. Neste navio – Karnack – encontramos entre todas as outras personagens, o famoso detective Hercule Poirot, que se encontra a gozar férias. No entanto, este é obrigado a intervir quando é encontrado o corpo de Linnet, com um tiro na cabeça. Tudo aponta para Jacqueline... Mas será a solução assim tão óbvia? Seria ela a única com motivo para cometer um crime tão horrendo?

Tendo como cenério as paisagens quentes e exóticas do Egipto, todos parecem culpados, todos teriam um motivo, mas afinal de contas quem é o assassino? A este dilema, junta-se um velho amigo de Poirot, o Coronel Race, que se encontra também à procura de um homicida mundialmente procurado. Estarão ambos os casos relacionados, ou será apenas uma coincidência infeliz?

Mais uma vez Agatha Christie, com a sua escrita exímia, capta o leitor desde o primeiro momento, levando-o a elaborar as mais variadas teorias e conjecturas. Ao contrário da maioria dos livros da autora, aqui sabemos já de antemão quem será a infeliz vítima, porém, o assassinato demora algum tempo a ocorrer, o que deixa o leitor num clima de tumulto e desconfiança. Mas lembrem-se, a bordo do Karnack nada é óbvio, nada é coincidência, nada é o que parece e tudo se desvanece numa linha turva entre o possível e o impossível.

 

Teria Linnet a vida perfeita que parecia ter? Ou viveria numa paz podre, onde todos eram seus inimigos?

O crime terá sido cometido por impulso ou foi premeditado?

Quem será o assassino?

 

Hercule Poirot é o homem com resposta a estas questões. A estas e a muitas mais, pois toda a gente esconde um segredo e, 

Muitas vezes, o trabalho de detective passa por eliminar todos os falsos começos e começar de novo.

 

Classificação

Livraria Chérie #7 O Grande Gatsby

Depois de muitas idas e vindas, e de ter relido as  primeiras páginas de O Grande Gatsby uma vintena de vezes, sem que nunca tivesse passado daí, finalmente terminei a leitura daquele que é considerado um dos grandes clássicos da literatura do século XX. Foi publicado pela primeira vez em 1925, e foi escrito por F. Scott Fitzgerald, que dizia que "gostaria de ser um dos maiores escritores que já viveram!", e que tem neste livro aquela que é considerada  a sua obra-prima. 

A história de Jay Gatsby, o homem que viveu na ilusão de um sonho, é-nos contada na primeira pessoa por Nick Carraway, um jovem natural da região do Midwest, que se muda para Nova Iorque em 1922, e cuja casa que aluga o deixa lado a lado com a mansão de Gatsby, o misterioso milionário acerca de quem circulam inúmeros rumores, por parte daqueles que, todas as noites, se dirigem à sua moradia para mais uma das suas festas. É também nesta altura que Carraway reencontra a sua prima Daisy, entretanto casada com Tom Buchanan e que, por ironia do destino, se encontra irremediavelmente ligada a Gatsby. Esta teia de personagens e sentimentos levará a um desfecho impossível de abrandar, que alterará definitivamente a percepção que Carraway tem do mundo.

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Ao longo das páginas de Gatsby, embarcamos numa viagem até à idade do jazz, os loucos anos 20, nos quais se viveu uma grande prosperidade pós-guerra, e que ficou para sempre associada ao excesso, ao glamour e à decadência. Além destes temas, Fitzgerald foca-se na importância dos estratos sociais da época, na resistência à mudança e na luta por um sonho que no final se esfuma, quando está prestes a ser alcançado. 

Tendo visto o filme de 2013 que adaptou o livro, já conhecia o destino das personagens e as suas personalidades. Obviamente que ao ler o livro pude conhecê-las muito melhor, mas tal como o filme, também o livro me dividiu. Se por um lado, foram vários os momentos em que achei a escrita de Fitzgerald muitíssimo inspirada, também foram muitos os momentos em que me aborreci e tive de me obrigar a continuar a ler. Outra das minhas dificuldades com este livro foi, tal como já tinha acontecido no filme, a minha não-identificação com nenhum dos personagens. Não consegui estabelecer nenhuma relação de empatia com nenhum deles que me fizesse realmente interessar-me pelos seus futuros. Apesar de tudo, foi talvez com a personagem de Gatsby que consegui estabelecer alguma afinidade por me solidarizar com a sua procura por um futuro melhor e pela desgraça em que cai.

Cada uma das personagens funciona quase como uma personagem-tipo. Em comum, todas elas vivem num estado de permanente insatisfação e na constante procura de algo que lhes preencha as suas vidas que, recheadas de luxo, são apesar de tudo, vazias. De todas elas, Carraway é o personagem mais maduro, mas que durante a acção funciona mais como um espectador das vidas dos outros, deambulando ao sabor das suas decisões. Gatsby, por sua vez, é o homem que cria o futuro com que sonhou baseado "na concepção platónica que tem de si mesmo", e que vive na ingenuidade de que o passado se pode repetir, e de que o amor é superior às convenções sociais.

Descrito como um romance trágico, O Grande Gatsby funciona acima de tudo como o testemunho de uma sociedade rica, fútil e decadente, descrevendo-a ao pormenor através de situações quotidianas, e deixando à capacidade crítica do leitor a análise desta época e destas pessoas. Foi esta perspectiva que mais gostei de ler no livro, esta amargura com que o autor descreve a vida e o ser humano. Em última análise, gostei da leitura deste livro e da perspectiva que me ofereceu, mas ficou aquém das minhas expectativas.

 

"(...) o sonho deve ter-lhe parecido tão próximo que só dificilmente poderia escapar ao seu abraço.

Não sabia que o sonho era já uma coisa do passado (...)"

 

Classificação: 

Neste Dia... 12 de Junho

Hoje assinala-se o nascimento de Anne Frank, a jovem escritora judia que deu a conhecer ao mundo um outro lado da II Guerra Mundial, através do diário que manteve nessa altura, e que se tornou numa das obras mais lidas de sempre. 

Nascida Annelies Marie Frank a 12 de Junho de 1929, em Frankfurt, na Alemanha, numa família judia liberal, composta pelos seus pais Otto e Edith Frank, e pela sua irmã mais velha Margot. Em 1933, depois da vitória do partido nazi nas eleições, a família mudou-se para Amesterdão, na Holanda. Em 1940, deu-se a invasão da Holanda pela Alemanha, e as duas irmãs viram-se obrigadas a passar a frequentar o Liceu Judeu. 

Em 1942, Otto oferece a Anne aquele que viria a ser o seu famoso diário, em que a jovem regista desde logo as alterações nas suas vidas. Em Julho desse ano, a família mudar-se-ia para o anexo secreto por cima dos escritórios de Otto, em que viriam a viver nos próximos anos, depois de Margot ser convocada ir para um campo de concentração. Alguns empregados ficariam responsáveis por garantir a segurança e as necessidades da família, à qual se juntaria uma outra família e ainda um amigo. 

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Anne era uma jovem com grande aptidão nas áreas da leitura e escrita, com uma personalidade extrovertida e faladora. Durante o tempo em que viveram no anexo, as duas irmãs continuariam a estudar e a realizar cursos por correspondência, e Anne continuaria a escrever avidamente no seu diário, descrevendo os seus companheiros de casa, as suas rotinas e as suas relações, bem como a forma como iam sobrevivendo e as notícias que recebiam do exterior. Aí viria a revelar o seu sonho de se tornar jornalista e uma autora publicada. A sua última entrada no diário dataria de 1 de Agosto de 1944, e na manhã de 4 de Agosto os habitantes do anexo secreto viriam a ser descobertos. 

A família Frank seria enviada para o tenebroso campo de concentração de Auschwitz, onde a mãe morreria à fome. As irmãs Frank seriam mais tarde recolocadas no campo de concentração de Bergen-Belsen, onde também morreriam, assume-se de tifo, Anne com 15 anos e Margot com 19. Apenas o pai, Otto, conseguiria sobreviver, e dedicar-se-ia a divulgar o diário da filha, o qual viria a ser publicado em 1950. Em 1957 surgiria a Fundação Anne Frank e em 1960 seria inaugurada a Casa de Anne Frank, onde a família viveu escondida durante a guerra, gerida pela anterior.

Se tivesse sobrevivido, Anne faria hoje 86 anos. O seu legado permanece, relembrando ao mundo o terror de que o ser humano é capaz de instilar, e o seu diário constitui um dos mais fiéis e conhecidos testemunhos do período da II Guerra Mundial. 

Descubram mais sobre a sua vida e sobre este período aqui.

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Chérie, hoje quero ir... à Leituria!

Para o último fim de semana da Feira do Livro sugerimo-vos um programa também ligado ao mundo dos livros. Num destes dias por Lisboa, descobri na Rua Dona Estefânia um espaço bem recente e com um conceito deveras interessante e inovador: a Leituria. É aí que vos levo hoje.

O subtítulo deste espaço dá-nos a conhecer as três grandes vertentes da Leitura: a conjugação de uma livraria com a apresentação e venda de produtos gastronómicos de grande qualidade, e ainda o mundo das artes.

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Ao longo de três pisos encontramos estantes e bancadas recheadas de livros dos mais variados géneros e preços, cada um deles à espera de ser "adoptado" pelos visitantes, bem como com diversos produtos alimentares e ainda artigos feitos por artistas, que em regime de consignação ali os têm para venda, desde obras de escultura, pintura, etc., tudo organizado de forma apelativa. É possível ainda encontrar um espaço bem colorido dedicado aos mais pequenos.

Na Leituria é possível, além de efectuar compras, visitar exposições e workshops dinamizados propositamente para este espaço. Este sábado, por exemplo, terá lugar um workshop de introdução à aguarela entre as 14h e as 17h. 

Com um atendimento atencioso, e uma decoração deveras agradável, que oscila entre o tradicional e o moderno, numa combinação também ela muito bem feita, a Leituria é um lugar que gostei bastante de visitar, e ao qual tenciono voltar. Se quiserem ir espreitar, encontra-se aberta de segunda a sábado, entre as 10h e as 20h.

 

(fotos retiradas da página no facebook da Leituria, a qual podem encontrar aqui)

Ups! I did it again!

Tendo em conta o título, este poderia ser um post sobre a Britney Spears. Mas não, é apenas a história de como fui a feira do livro e como me portei (mais ou menos) bem. Tendo em conta o meu historial compulsivo na compra de livros, acho que desta vez até me comportei (só comprei dois!). 

Mais um ano, mais uma feira do livro de Lisboa, e mais uma vez não resisti. Eu confesso que ainda pensei "Vou, mas não vou comprar nada!". Ahah, tão engraçada que eu sou, a tentar enganar-me... Não só fui, como comprei dois livros, mas em minha defesa foram baratinhos. 

Comprei estes dois: 

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Sonetos (Florbela Espanca) | O Intruso (William Faulkner)

 

Eu já devia saber que não posso ver livros em promoção, é impossível resistir. Porém, agora vão ficar na estante, juntamente com os que comprei na promoção da Fnac, até que eu tenha tempo de os ler a todos.

 

Agora a sério, já só volto a comprar na próxima feira do livro, e se os tiver lido todos entretanto. Vocês são testemunhas desta minha jura a mim própria.  

 

P.S - já leram algum destes livros? Gostaram?

Livraria Chérie #6 – O Fantasma da Ópera

Foi ontem que (finalmente) terminei o livro que estava a ler – O Fantasma da Ópera – no frânces original Le Phantôme de l’Opéra. Esta obra de Gaston Leroux foi publicada pela primeira vez em 1909, sendo inspirado em factos históricos da Ópera de Paris.

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Leroux começa a narrativa com a frase “O fantasma da ópera existiu (...) Sim, existiu de carne e osso (...)”, o que cativa logo o leitor em primeira instância. A acção passa-se no século XIX, na Ópera de Paris (como o próprio título indica), que se encontra assombrada por um Fantasma, segundo as historietas dos empregados. Este vive de partidas que prega constantemente, e obtém o seu rendimento mensal da chantagem que efectua aos administradores da Ópera, que lhe pagam 20 mil francos mensais. A personagem terrível exige ainda que lhe reservem o camarote nº5 em todas as actuações.

Entretanto Christine Daaé, uma jovem bailarina, é guiada por um Anjo da Música, enviado do céu pelo seu falecido pai. Esta criatura mostra-lhe o poder da sua voz e todo o sucesso que pode alcançar com ela. Christine acaba por subir aos palcos como cantora, arrebatando e conquistando a audiência, onde se encontrava o seu amor de infância – o visconde Raoul de Chagny.

Mais tarde, Christine compreende que o Anjo não existe, e que este é sim personificado pelo Fantasma, o índividuo que aterroriza a Ópera. Erik, o Fantasma, encontra-se deformado na face, razão essa por que se esconde do mundo desde sempre. Quando Christine descobre a fealdade da criatura entra em choque e Erik decide prendê-la nos subterrâneos do monumental edifício. Christine vê-se então obrigada a escolher entre o amor de uma vida ao lado de Raoul de Chagny ou a protecção do mesmo. Esta promete então que voltará sempre para Erik por vontade própria. Mas o amor que sente por Raoul é mais forte e os dois planeiam fugir. No entanto, Erik apercebe-se do plano e na noite idealizada para a fuga, rapta Christine e leva-a para a sua morada nos confins da Ópera.

Raoul e o Persa (personagem que conhece tudo acerca de Erik) partem numa busca para salvar Christine, sobrevivendo às mais terríveis armadilhas e obstáculos. Entretanto, Daaé vê-se obrigada a casar com Erik ou morrer juntamente com “mais dos da raça humana”.

A escolha é óbvia, Christine escolhe casar com Erik. Porém, num rasgo de bondade este permite-lhe que fique para sempre com Raoul, desde que no momento da sua morte lhe venha colocar a aliança de ouro que lhe havia dado, no dedo. Christine concorda, e tanto ela como Raoul nunca mais são vistos. Porém, anos mais tarde é encontrado um esqueleto nos fundos da Ópera, com uma aliança dourada. Christine havia cumprido a sua promessa...

Esta obra-prima de Gaston Leroux é considerada de género gótico, romance, horror, ficção, mistério e tragédia. O horror deriva de todas as malvadezas que circulam na cabeça de Erik, e que este conduz à execução.

Não seria apenas uma alma incompreendida? Não teremos todos nós um pouco de Erik? No fundo o que mais almejamos na vida é ser amados por alguém, pois o amor que nutrem por nós não tem preço.

Recomendo vivamente a todos os que querem ler os grandes gigantes da literatura, pois esta obra deixa-nos a pensar no que seríamos capazes de fazer por amor, e talvez até a identificarmo-nos com Erik, que é supostamente o vilão que não nos deixa indiferentes.

Hoje em dia a história é mais que conhecida, e talvez um pouco ofuscada pelos musicais (é o mais visto de sempre!), filmes e todas as produções realizadas em torno da obra. Porém, eu acho que merece a classificação de:

 

Classificação: 8/10

Chérie, hoje quero ir... à Feira do Livro!

No primeiro fim de semana depois da abertura da 85ª Feira do Livro de Lisboa, a nossa sugestão só podia ser uma: visitar este evento que é a verdadeira perdição para todos aqueles que adoram ler, e estão sempre dispostos a acrescentar novos volumes à sua colecção.

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Este ano, a Feira do Livro iniciou-se dia 28 de Maio, e vai permanecer no Parque Eduardo VII, um dos locais mais característicos da capital, até dia 14 de Junho. O horário varia conforme os dias da semana, com abertura às 11h ou às 12.30h, conforme seja fim de semana, ou dias úteis (respectivamente), e termina às 23h ou às 00h.

Todos os dias existem livros do dia e ainda eventos especiais, em que se incluem sessões de autógrafos, lançamentos de livros, workshops, actividades infantis, entre outros. Importa ainda não esquecer a famosa Hora H, em que entre as 22h e 23h de 2ª a 5ª vários livros se tornam em verdadeiras pechinchas.

 

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Não percam esta oportunidade! Além de comprarem livros, é sempre uma boa oportunidade para passear, relaxar, participar nas actividades e claro, ver o maravilhoso Tejo entre os prédios da Avenida da Liberdade.

Consultem o site da Feira do Livro aqui.