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La Vie en Chérie

Para os apaixonados por moda, cinema, livros e por uma vida doce e divertida

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Chérie, hoje apetecia-me ver... Mr. Holmes

Sherlock Holmes é, muito provavelmente, o mais famoso detective da história. Criado por Sir Arthur Conan Doyle, surgiu em 1887 em A Study in Scarlet. Desde então tem vindo a conquistar múltiplas e distintas gerações, que partilham o fascínio pela mente brilhante e particular de Sherlock Holmes. Muitas já foram as adaptações feitas ao trabalho de Conan Doyle, e eis que este ano estreou mais uma, Mr. Holmes.

Este filme despertou imeditamente o meu interesse, não só pela premissa, mas também pelo actor que iria dar vida a Holmes. Assim, aqui há uns meses partilhei convosco a minha expectativa em ver este filme, um drama realizado por Bill Condon e protagonizado por Ian McKellen. A história é baseada num livro publicado há dez anos atrás, A Slight Trick of the Mind, escrito por Mitch Cullin.

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Nesta adaptação, Sherlock Holmes é um homem envelhecido, com mais de 90 anos, e que está aposentado há cerca de 30, refugiando-se numa zona remota de Inglaterra. Aí vive também a sua governanta (Laura Linney), e o filho desta, Roger (Milo Parker). Holmes vive atormentado pela sua progressiva perda de faculdades: a sua outrora mente brilhante está a desvanecer-se, uma memória de cada vez. Apesar disso, ele está decidido a esclarecer o que aconteceu no seu último caso e, por conseguinte, qual foi a razão que o levou a reformar-se. 

A história é contada em três linhas temporais e espaciais: a principal é a que acabei de resumir. As outras duas confluem para essa, e constituem memórias do protagonista. Uma na época do seu último caso, em Londres, e a segunda compreendida entre as outras duas, que decorre no Japão.

Antes de mais, deixem que vos diga que a ideia que tinha antes do filme, criada pelo trailer e sinopses da história que li, não se revelou muito próxima à realidade. Pensava encontrar um típico biopic, leve e com uma história linear, em que o protagonista é modificado pela sua interacção com o jovem Roger. E a verdade é que Mr. Holmes é um filme muito mais profundo do que parece ser quando vemos o trailer. 

Mr. Holmes.jpg

Começando pela análise técnica, Mr. Holmes é um filme irrepreensível. A realização está deveras bem feita, relacionando as três histórias pouco a pouco, e centrando-as sempre em Sherlock.

A caracterização das outras personagens é bem feita, especialmente as de Roger e da mãe, que são as figuras mais próximas do protagonista. Não sou grande fã da Laura Linney, mas aqui até consegui simpatizar com a sua personagem, apesar de não ser fácil. Milo Parker, que interpreta Roger, prova que tem pela frente uma grande carreira como actor. Carismático, cativante e com imenso talento, consegue até roubar alguns momentos a Ian McKellen. Relativamente a este senhor, o que há a dizer que não tenha já sido dito em todos os trabalhos que fez? É uma vez mais brilhante, recriando Holmes de uma forma inigualável, e de certa forma dando vida a dois Sherlocks, separados por 30 anos, com características muito diferentes. Apesar disso, não acho que vá ser nomeado ao Óscar, com muita pena minha, porque era mais do que merecido.

Um dos factores que mais me atraiu neste filme foi a fotografia, pela forma como o realizador abordava os planos das personagens, encaixando-as entre diferentes elementos, e como conseguiu relacionar a beleza da Natureza e da metrópole. Também a banda sonora é um aspecto bastante presente, realçando a dualidade da simplicidade e complexidade do filme.

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Contudo, acho por bem avisar que não esperem encontrar aqui um trabalho muito semelhante às obras sherlockianas mais recentes. O ritmo do filme é deveras lento, sem grandes aventuras ou correrias, e com um Sherlock muito diferente daquele a que estamos habituados. Pessoalmente, eu adorei esta visão do detective, e da sua divisão entre a racionalidade versus emoção. 

O filme retrata a procura de Sherlock por algo que nem ele próprio sabe o que é: o que o levou a desistir da sua carreira. Essa procura incessante pelo seu passado leva-o a algo inédito: escrever o seu último caso, algo que nunca tinha feito, pois foi sempre Watson o responsável por contar as suas aventuras. Pouco a pouco, Holmes lembra-se desses dias, e é com essa memória que faz uma descoberta acerca de si próprio e do ser humano, e que mudará drasticamente a sua maneira de ser. Ao contrário do que esperava, o filme não se centra na resolução do caso, uma vez que Sherlock já a fez há três décadas atrás, sendo que a mesma não era particularmente misteriosa. O foco é mesmo a transformação levada a cabo em Sherlock, primeiro há 30 anos atrás quando resolveu o caso, e depois desse tempo todo, enquanto tenta descobrir o que o mudou. É um filme com muitas nuances, e uma interessante analogia com a Natureza, que me impressionou imenso. 

Muito mais haveria a dizer acerca de Mr.Holmes, mas fico-me por aqui, com a recomendação de que não percam a oportunidade de o ver. A sua componente técnica cria uma magnífica "moldura", e a sua história dá vida ao "quadro" em si. Conjugadas, dão-nos um excelente filme.

 

Classificação: 9/10

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